"E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava?
Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate.
Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas.
Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim.
Carnaval era meu, meu."

(Clarice Lispector )







quarta-feira, 22 de julho de 2009

Resenha Poética Nº 1 (prolegômenos)






















Prolegômenos, até dispensáveis...

A nossa parceria é antiga. Vem desde a meninice. Eu sou quase um amigo invisível do Lula. Quem é o Lula? Ah, o Lula é o poeta Eurico, que tem o nome do avô: Luiz Eurico de Melo Neto. A coisa é tão de amigo, que ele inventa essa história de resenha, e não me avisa com antecedencia. Mas, como tenho na gaveta, coisas do tempo do Eu-lírico em papel, tempos românticos em que xerocávamos os nossos zines e enviávamos pelo correio pra o Brasil quase todo. Eita trabalheira! Bem, como tenho algo que serve pra ocasião, vou transcrever aqui, logo abaixo, o comentário da edição nº 10 - jun/jul-1996, do zine Eu-lírico, cuja capa, chamada O Ninho, escaneei, e serve como ilustração dessa Resenha nº 1.

Obs.: a capa é uma collage de autoria do compadre Lula.

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OPUS ALCHYMICUM
.............por Carlinhos do Amparo

Vejam que instigante afirmativa da Dra. Nise da Silveira (in Jung-vida e Obra, p. 160):

"o mundo do poeta é um mundo de imagens arquetípicas".

E continua, a saudosa Mestra:

"essas imagens prescindem da lógica e da sintaxe comum, posto que emersas das funduras imensas do inconsciente, de onde trazem as intuições primordiais"...(e, atalho eu, por que não dizer, mitopoéticas? rsrs)


Concluo, a partir da do que disse a Dra. Nise da Silveira, (e no âmbito brevíssimo e restrito deste comentário), que os símbolos alquímicos originam-se, bem como as imagens poéticas, no ventre do inconsciente coletivo, e serão reencontradas nos sonhos e na imaginação dos povos de todas as épocas.
Evidenciam-se, junguianamente, confluências entre essa linguagem poética, hermética e obscura e a linguagem dos bizarros textos da alquimia. É que o artista, como o alquimista, segundo o próprio Jung, exprime a fala inconsciente e ativa da humanidade, tornando acessíveis a todos as fontes da vida.

Então, pergunto:
surgirá a Poesia, sob o fulgor dessa revelação interior, quase filosofal, alquímica, e numinosa?

E ainda:
há, na alma do poeta, uma protopoesia, fruta inextinguível das experiências lírico-pensantes dos homens, que ora se apresenta de maneira irrealista, onírica e abstrata?

(Olinda, meados de julho de 1996)

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Mais um dedinho de prosa (em 22/07/09, hoje, portanto)

Sobre o tal esoterismo euriquiano, eu devo discordar. Não de quem pensa isso, mas dele, do meu compadre. Como é que ele me faz uma postagem ilustrada pela Escada de Jacó, símbolo esotérico dos pedreiros-livres, e ainda cita o Octavio Paz, dizendo ser a escada símbolo da "humilhação da pedra", ali na barra lateral, põe um título meio maçon, com um subtítulo totalmente maçon,e não quer que o rotulem de esotérico. Ora, meu compadre, isso é puro esoterismo. Não me venha enganar com o tag junguiano da individuação, pois isso é só pra despistar o leitor, que eu bem te conheço! A Escada de Jacó remete à evolução espiritual e isso o compadre não vai querer esconder, né? Tá bom, há um metapoema escondido aí, mas... sei não. Estás meio esotérico, compadre velho! rsrsrs
(Desculpa, compadre, mas, o senhor me pediu pra comentar, eu comentei! Eu num sei mentir!) rsrsrs

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Um comentário:

Mai disse...

Carlinhos, eu estou perplexa e por mais que não sejamos alienados e que saibamos que imagens como esta são reais, é estarrecedor perceber um , mais um que poderia ser um dos nossos.
Não há o que falar, comentar.Apenas nos indignar, registrar as dores, tentar educar e inserir tantos quantos pudermos.
Sinto-me impotente, Carlinhos e fico gaga.
Li um poema no Eurico e li em voz alta.

Deixo meu abraço e saio em silêncio daqui.