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Prezado Compadre,
Eis que essas cartas estão tomando um rumo que me fazem lembrar de uma perguntinha, aparentemente inocente e jocosa, mas que se encaixa bem no nosso tema:
Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?
Ou seja, quem surgiu primeiro, o homem ou a cultura?
Perguntinhas da carinha de bobas, né? Mas , como diria Ortega y Gasset, não é em vão que elas trazem os curvos ganchos da interrogação.
Pois é nessa mesma linha de reflexão que o Dr. Crippa, mutatis mutandis, levanta algumas interessantes questões. À página 183, de seu Mito e Cultura, ele pergunta:
“Como poderia o homem criar palavras e símbolos antes de possuir o sentido da comunicação? Como edificaria uma casa antes de sentir a necessidade de habitar? Como ergueria um templo antes de uma experiência religiosa do sagrado?”
Três perguntinhas interessantes, e que vão, definitivamente, adiando o desfecho que julgávamos haver na carta anterior, num é mesmo, compadre?
Se não, vejamos: para o Dr. Crippa “há uma linguagem primordial, da mesma maneira que há um residir antes do habitar, um sentir e um imaginar que antecipam as expressões artísticas, uma manifestação primordial do sagrado antes de uma verdadeira experiência religiosa.”
Decorre dessas afirmações que: “para agir e expressar-se em formas e atividades significativas, o homem deve estar dotado de formas radicais que tornem possíveis tais expressões.”
Eis que surge uma nova questão que também adiará o desfecho desta carta, e que deixo para a meditação de meu compadre:
Se o espírito humano necessita dessas formas radicais que preexistiam numa anterioridade absoluta, num prius, de que instância recolhe o homem essas protoformas que orientam sua força imaginativa e criadora?
Até a próxima e
receba o abraço fraterno
de seu compadre e amigo,
Eurico
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"E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava?
Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate.
Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas.
Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim.
Carnaval era meu, meu."
(Clarice Lispector )
Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate.
Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas.
Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim.
Carnaval era meu, meu."
(Clarice Lispector )
quarta-feira, 8 de abril de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
Epístola quase pirata: A cultura é um prius?
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Pois é, compadre,
Essa retórica por desfecho, implícita na forma de abordar o tema pelo Dr. Crippa, é o que eu iria tentar fazer nessas cartas. Desfecho, mesmo, só no final.
Mas, vacilei, e já que lhe adiantei o mote na carta anterior, vou piratear (copiar e colar) a proposição pela qual o Dr. Crippa irá pugnar durante todo o seu livro:
“a cultura não é aquilo que o homem faz, mas o contrário, é aquilo que faz com que o homem seja um determinado homem. Não pode ser uma realização do homem porque o homem, ele mesmo é o resultado da cultura.”
Vejamos o que ele sugere à p. 10, de seu Mito e Cultura:
"Se cada pessoa humana nasce com determinada fisionomia física e espiritual, é porque uma realidade constitutiva antecede as livres opções individuais e as decisões coletivas."
E prossegue:
"A cultura precede o homem e lhe oferece as possibilidades de agir e de fazer. O homem não poderia inventar a cultura, por mais que realizasse obras singulares nos diversos campos em que seu espírito possa se manifestar. O homem não cria a cultura. Ao contrário, ele é constituído pela cultura, nele mesmo, no seu mundo, na sua linguagem, nos seus valores. A cultura seria assim uma anterioridade absoluta frente à liberdade, uma anterioridade absoluta frente à imaginação, uma anterioridade absoluta frente à linguagem.
Os homens não criam a linguagem. Para isso teríamos que imaginar um povo não falando nada e, de repente, reunido, acertando sons, imagens, conceitos, ou seja, descobrindo ou escolhendo uma certa maneira de falar. Ou então um conglomerado de entes, que humanos não seriam ainda, escolhendo os símbolos, as formas de suas manifestações no campo da religião, da arte e da ciência. Isso é algo impossível. A cultura seria assim um precedente absoluto frente à consciência e frente à liberdade. Nenhum homem nasce por acaso e do nada. Nenhum homem surge absolutamente perdido no espaço. Há uma anterioridade determinante."
Finalmente, citando textualmente o filósofo paulista Vicente Ferreira da Silva, assim arremata o Dr. Crippa:
Finalmente, citando textualmente o filósofo paulista Vicente Ferreira da Silva, assim arremata o Dr. Crippa:
"Não se tem um exemplo sequer, empiricamente constatável, do aparecimento de uma civilização ou de uma cultura, a partir da deliberação e da vontade dos indivíduos. Nunca assistimos ao nascimento de uma cultura . . . Para que haja uma ação ou interação entre indivíduos, já deve estar previamente inaugurado o teatro social de uma ação culturalmente relevante. Uma cultura é um prius absoluto em relação a qualquer criação de bens ou de instituições derivadas..."¹
Acho que não me contive e já entrei no desfecho.
Mas, como o que estou postando ao compadre são meras cartas e não dissertações, fica assim mesmo.
E assim me despeço, pois acho que essa prosa já se alonga demais.
Seu compadre e amigo
Eurico
(Ah, compadre, prius é uma anterioridade absoluta, o que vem antes de tudo.)
¹www.tropicologia.org.br/CONFERENCIA/1983cultura_brasil.html#nota3
¹www.tropicologia.org.br/CONFERENCIA/1983cultura_brasil.html#nota3
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
Coprocultura é Cultura?
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Prezado Compadre,
Tou aqui de novo.
E começo com mais essa provocação. Aqui no nordeste, quando um cidadão veste sua roupa domingueira e sai todo perfumado, ouve logo um gracejo:
Vai fazer exame de fezes, né?
É isso que me invoca, compadre, essa tal coprocultura. Parece que cultura é uma palavrinha que cabe em todo canto. Fui então ao pai dos burros e descobri que o biomédico vai "cultivar" os microorganismos que existem na amostra fecal do paciente. Copro é excremento, escória, fezes. E cultivar é fazer cultura. Pronto. Ta explicado.
Mas, cuidado. Um homem de vasta cultura não é um biomédico de larga experiência, compadre. Muitos bem que debruçam-se sobre verdadeiras escórias.
No entanto, há usos diferentes para essa palavrinha. Cada um “cultiva” um significado pra ela, né?
E a partir dessa palavra “cultivar”, passo a transcrever o que entende o Dr. Crippa sobre Cultura:
“O homem apresenta-se, desde o início, como cultivador. Não só da terra, dos rebanhos e das forças da natureza. Cultiva seus gestos, suas expressões, sua fisionomia, seus hábitos de habitar, de vestir-se e alimentar-se. Cultiva a amizade, cultiva o espírito, cultiva as relações com os entes divinos que iluminam a cena inaugural. Cultivar é um gesto profundamente humano quanto o de cultuar. Há um culto imerso no gesto de cultivar, da mesma maneira que todo gesto de cultuar manisfesta o cultivo de alguma coisa. Cuidar, pastorear, cultivar, cultuar, são gestos idênticos entre si. Trata-se sempre do homem reclinado sobre as coisas, sobre si mesmo, sobre suas significações últimas, adequando e moldando o mundo às formas que se constituem em seu espírito imaginativo e criador.” ( Adolpho Crippa, Mito e Cultura, 1975, p. 182)
Até aqui nada de novo, né, compadre. Entendi, disso tudo, que o homem "cultiva a cultura", se assim posso dizer. O danado é que muitos homens passam a vida a produzir material para dar trabalho aos biomédicos. Ou seja, a fazer merda na vida. rsrsrs
Aqui me despeço,
porém, me aguarde, pois o Crippa tá blefando, fazendo retórica por desfecho, com essa coisa de afirmar que a cultura é produto do homem. O livro avança e ele irá nos surpreender com as conclusões a que chega. Na verdade ele crê que é a cultura que faz o homem.
Mas, aguarde a próxima missiva.
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Prezado Compadre,
Tou aqui de novo.
E começo com mais essa provocação. Aqui no nordeste, quando um cidadão veste sua roupa domingueira e sai todo perfumado, ouve logo um gracejo:
Vai fazer exame de fezes, né?
É isso que me invoca, compadre, essa tal coprocultura. Parece que cultura é uma palavrinha que cabe em todo canto. Fui então ao pai dos burros e descobri que o biomédico vai "cultivar" os microorganismos que existem na amostra fecal do paciente. Copro é excremento, escória, fezes. E cultivar é fazer cultura. Pronto. Ta explicado.
Mas, cuidado. Um homem de vasta cultura não é um biomédico de larga experiência, compadre. Muitos bem que debruçam-se sobre verdadeiras escórias.
No entanto, há usos diferentes para essa palavrinha. Cada um “cultiva” um significado pra ela, né?
E a partir dessa palavra “cultivar”, passo a transcrever o que entende o Dr. Crippa sobre Cultura:
“O homem apresenta-se, desde o início, como cultivador. Não só da terra, dos rebanhos e das forças da natureza. Cultiva seus gestos, suas expressões, sua fisionomia, seus hábitos de habitar, de vestir-se e alimentar-se. Cultiva a amizade, cultiva o espírito, cultiva as relações com os entes divinos que iluminam a cena inaugural. Cultivar é um gesto profundamente humano quanto o de cultuar. Há um culto imerso no gesto de cultivar, da mesma maneira que todo gesto de cultuar manisfesta o cultivo de alguma coisa. Cuidar, pastorear, cultivar, cultuar, são gestos idênticos entre si. Trata-se sempre do homem reclinado sobre as coisas, sobre si mesmo, sobre suas significações últimas, adequando e moldando o mundo às formas que se constituem em seu espírito imaginativo e criador.” ( Adolpho Crippa, Mito e Cultura, 1975, p. 182)
Até aqui nada de novo, né, compadre. Entendi, disso tudo, que o homem "cultiva a cultura", se assim posso dizer. O danado é que muitos homens passam a vida a produzir material para dar trabalho aos biomédicos. Ou seja, a fazer merda na vida. rsrsrs
Aqui me despeço,
porém, me aguarde, pois o Crippa tá blefando, fazendo retórica por desfecho, com essa coisa de afirmar que a cultura é produto do homem. O livro avança e ele irá nos surpreender com as conclusões a que chega. Na verdade ele crê que é a cultura que faz o homem.
Mas, aguarde a próxima missiva.
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quinta-feira, 2 de abril de 2009
Que é, de fato, cultura?
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Prezado, compadre Carlinhos,
Acabo de ingressar em um Curso de Formação em Gestão Cultural para Pontos de Cultura. E, como o senhor sabe, gosto de definições, de etimologia e das provocações maiêuticas. Isso me traz até este Sítio intra-histórico d'Olinda, nesssa manhã de quinta-feira. Vim questionar essa palavrinha tão empregada por aí, sem preocupações maiores com o seu sentido último: Cultura.
Por isso fala-se em cultura antiga e moderna, cultura bizantina, egípcia, brasileira. Toma-se, até mesmo, erudição por cultura. Chamam-se, por conta disso, de cultos, aos homens letrados, e aos iletrados, de incultos. E, finalmente, tratam o folclore, os costumes, como se fossem sinônimos de cultura. Uma salada conceitual ou um sarapatel semântico?!
Que é de fato, cultura?
Não irei arriscar uma resposta de minha autoria, posto que não sou versado nessas coisas, mas, ando lendo um tal de Adolpho Crippa, MITO E CULTURA (Ed. Convívio, 1975), que traz certas luzes sobre o tema. Aos poucos, e com a ajuda e permissão do compadre, voltarei a este Sítio, para novas tertúlias e trarei um pouco do que este notável culturalista compreende sobre o sentido último da palavra cultura.
Sem mais,
despeço-me com um abraço fraterno.
Luiz Eurico,
seu compadre e amigo.
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Prezado, compadre Carlinhos,
Acabo de ingressar em um Curso de Formação em Gestão Cultural para Pontos de Cultura. E, como o senhor sabe, gosto de definições, de etimologia e das provocações maiêuticas. Isso me traz até este Sítio intra-histórico d'Olinda, nesssa manhã de quinta-feira. Vim questionar essa palavrinha tão empregada por aí, sem preocupações maiores com o seu sentido último: Cultura.
Por isso fala-se em cultura antiga e moderna, cultura bizantina, egípcia, brasileira. Toma-se, até mesmo, erudição por cultura. Chamam-se, por conta disso, de cultos, aos homens letrados, e aos iletrados, de incultos. E, finalmente, tratam o folclore, os costumes, como se fossem sinônimos de cultura. Uma salada conceitual ou um sarapatel semântico?!
Que é de fato, cultura?
Não irei arriscar uma resposta de minha autoria, posto que não sou versado nessas coisas, mas, ando lendo um tal de Adolpho Crippa, MITO E CULTURA (Ed. Convívio, 1975), que traz certas luzes sobre o tema. Aos poucos, e com a ajuda e permissão do compadre, voltarei a este Sítio, para novas tertúlias e trarei um pouco do que este notável culturalista compreende sobre o sentido último da palavra cultura.
Sem mais,
despeço-me com um abraço fraterno.
Luiz Eurico,
seu compadre e amigo.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Saudades do Sítio

Recife, 17 de fevereiro de 2009
Prezado Compadre,
Saudações foliãs,
Sábado sairá o Homem da Meia-noite, e eu não poderei estar presente.
Vai ser a primeira vez em alguns anos que não contemplo a quase mística aparição daquele calunga do nosso carnaval.
O senhor sabe, compadre, como me foi difícil mudar de cidade. Como foi difícil sair do sítio intra-histórico d'Olinda. Em maio já vai fazer um ano. E a saudade do convívio com os moradores daí, nessa época de folia, só aumenta: Tia Landa e família, Selma e o marido Júnior Madeira, Sílvio Botelho (o pai dos bonecos d'Olinda), e o Rui. Ah, meu compadre, só o Rui é quem sabe aproveitar dessas ladeiras! Abrace a todos por mim. Quem sabe apareço pra ver o Galícia, que sai de dentro do Sítio, ou mesmo A Fofoqueira do Bonsucesso, troça que me faz lembrar de certas pessoas engraçadas daí. Bem, é carnaval. Vou completar 30 anos de Galo da Madrugada, sábado. Esse eu não perco de jeito nenhum. Apesar de que, com a morte do Seu Enéas, o eterno presidente, ano passado, estão inventando de trazer as bandas Calipso e Saia Rodada pro desfile. Vou conferir. Se isso acontecer mesmo, ano que vem estou fora! O Clube de Máscaras ( e não bloco) Galo da Madrugada sempre foi um baluarte do frevo pernambucano. O povo gosta do forró, compadre, mas tudo tem sua época. E esse forró estilizado não pega bem no carnaval, né mesmo? Saia rodada só no maracatu!!! rsrsrs
Sem mais, e com saudade de todos, despeço-me.
Abraço fraterno
do seu compadre e amigo Eurico
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
Sinhá Nana - 102 anos - a mais velha Dama do Paço dos maracatus-nação, em Pernambuco

Bem, primeiro deixem que eu me apresente: meu nome é Luiz Eurico de Melo Neto, ou simplesmente Eurico. Meu blogue literário se chama Eu-lírico, e é lá o lugar onde apresento meus escritos e minhas idéias.
O que faço aqui, então?
Explico:
convidou-me, o compadre Carlos, cá deste Sítio d'Olinda, para que eu contasse a história do Ponto de Cultura Almirante do Forte, ou melhor, de como eu, poeta bissexto, entrei nesse projeto.
Antes disso, tenho de contar sobre Sinhá Nana:
Há uns 50 ou 60 anos atrás (1940/50), morava com o "clã dos Melo", em casa de meus avós, uma cafuza, de nome Ana Carmelita. Eram amigos de infância, desde os albores do século XX, meus avós, filhos de escravos-libertos, nascidos por volta de 1895, e Ana, nascida por volta de 1906. Naquela época eram comuns os agregados em casa de família. Lavavam, passavam, cozinhavam. Era essa a função da Ana Carmelita na nossa família. Não era empregada, já disse, mas agregada.
Desse modo, viu nascerem filhos e netos dos meus avós, eu aí incluído. O que lembro, lá da primeira infância, é que quando chegava fevereiro, a negra Carmela, ou Tia Nana, como os pequenos a chamavam, sumia de casa. Eu ouvia os adultos dizendo que ela dançava em um maracatu. E nesse mês "endoidava" para fazer a fantasia, umas saias rodadas, cheias de armações.
Bem, passou-se o tempo. A Sinhá Nana foi morar com o filho e a nora. Sumiu do mapa. Perdemos ela de vistas. Meus avós faleceram. A vida seguiu.
Dia desses, agora em 2008, ouvindo um programa de rádio, chamado Maracatus, Batuques e Folia, eis que o Mestre, entre uma loa e outra, manda um abraço para Ana Carmelita, a mais velha dama de frente de Maracatu Nação da cidade do Recife. Dei um pulo do sofá. Era ela. Era a minha Tia Nana. E ele disse o endereço dela no ar: Estrada do Bongi.
O Bongi é um bairro quase central do Recife, que eu conheço bem porque fica nas imediações do meu trabalho. Fim de semana, saí à procura da velha Carmelita. Devia ser fácil. Acharia logo a sede do famoso Almirante do Forte. Lá saberiam me dizer onde achar Tia Nana. E, pra minha surpresa e sorte, nem precisei andar muito. Ela estava ali mesmo. Abandonada pelos filhos, a velhinha fora acolhida pelos donos do Almirante. Está morando dentro da sede do maracatu.
Dias depois levei minhas tias, meus pais, toda a família pra rever a velha amiga de infância. Foi lindo ver aquele grupo de meninas, todas na faixa dos 90 anos, rindo e se abraçando. Achamos a nossa ovelhinha perdida.
O Mestre Teté, filho do fundador do Almirante, então me contou da situação de penúria por que passava a agremiação e me pediu ajuda para fazer um projeto para que o Almirante passasse a fazer parte dos Pontos de Cultura, ligados ao MinC (Governo Federal) e à Fundarpe (Governo de Pernambuco). Nunca havia feito nada parecido, mas, para ajudar a quem, tão generosamente, acolheu minha velhinha, topei. Fizemos, com a ajuda de outros amigos, um projeto despretensioso. Achávamos que os jurados nem iriam ler aquilo. Seja lá o que Deus quiser! disse-me o Mestre Teté.
Entrei como voluntário na Coordenação Técnica e dei meu email, como contato. Um belo dia, chega a boa notícia. O projeto fora aprovado!!!
Agora o Maracatu vai reformar a séde, criar cursos de dança, percussão, informática, vídeo e confecção das próprias indumentárias. Felicidade geral, para uma comunidade humilde, mas determinada e cheia de sonhos.
Viva Sinhá Nana, 102 aninhos, que, mesmo sem sair às ruas (a idade não mais permite), continua a dançar com a boneca de cêra!!!
Viva o Maracatu Nação Almirante do Forte!!!
Viva o mais novo Ponto de Cultura do Recife.
Breve na TV Brasil, mostraremos nossa força.
Nos aguardem na telinha.
Eurico
12/01/09
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Nota: foto da Tia Nana num clique da Kelly Cristina, durante reunião inaugural do Ponto de Cultura Almirante do Forte, em 16/05/09.
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Maracatu Nação Almirante do Forte
Quarenta e dois anos após abolição da escravatura foi criado o Maracatu Almirante do Forte. Em 1931, tornaram-se dissidentes e resolveram criar outro maracatu. Foram à Capitania dos portos do Recife, e escolheram o nome do novo maracatu graças ao navio “Almirante”.
O Maracatu Almirante do Forte, entidade com ações relevantes na área cultural há 79 anos, e que tem na sua descrição de atividade econômica principal a defesa de direitos sociais com ações ligadas à cultura e à arte, atualmente passa por dificuldades que podem parar as suas atividades, pondo em risco a perda de uma memória popular que é a verdadeira expressão das raízes africanas em nosso Estado.
Hoje o MARACATU NAÇÃO ALMIRANTE DO FORTE é uma Nação Nagô, tendo a mais antiga dama de paço (em atividade), a Sra. Josefa Maria da Silva (1910), mãe do atual presidente o Sr. Antônio José da Silva Neto (Mestre Teté).
Desenvolve várias atividades culturais ao longo do ano como:
Todos os anos no desfile Oficial do carnaval promovido pela Prefeitura da Cidade do Recife, sendo membro da Federação Carnavalesca de Pernambuco;
Participação anual durante o carnaval do Encontro de Maracatus de Baque Virado, intitulado Noite dos Tambores Silenciosos;
Participação no Projeto Terça Negra, da Prefeitura da Cidade do Recife;
Apresentações no Festival de Inverno de Garanhuns, por diversos anos.

Desfile no FIG (Festival do Inverno de Garanhuns-PE)
Foi um dos selecionados no último edital (2008/2009) para tornar-se um Ponto de Cultura (projeto participante do Programa Cultura Viva, do Governo Federal, em Parceria com o Governo de PE-FUNDARPE (Minc/Fundarpe)). Este projeto trará muitos benefícios para o Almirante, pois visa a preservação da tradição contida no maracatu-nação. A idéia surgiu da iniciativa dos amigos do Maracatu que fazem parte da cena cultural de Pernambuco, que, preocupados com a situação do Maracatu Almirante do Forte e da comunidade carente à qual ele pertence, desenvolveram projetos para garantir a manutenção e continuidade das ações do mesmo.
Com a implantação do projeto a comunidade será beneficiada nas seguintes áreas:
Artística
Capacitação de participantes em técnicas de confecção de instrumentos e aprendizado de toques básicos do maracatu de baque virado;
Formação através da transmissão de oficineiros das danças peculiares do maracatu de baque virado;
Artística
Capacitação de participantes em técnicas de confecção de instrumentos e aprendizado de toques básicos do maracatu de baque virado;
Formação através da transmissão de oficineiros das danças peculiares do maracatu de baque virado;
Formação de costureiras para atender todas as demandas especifica das roupas e indumentárias do maracatu de baque virado;
Formação de pessoas para utilização de equipamentos de audiovisual e informática, para serem aplicados nos serviços e registros do maracatu.
Social
Fortalecimento da identidade cultural das raízes do maracatu de baque virado;
Formação de pessoas para utilização de equipamentos de audiovisual e informática, para serem aplicados nos serviços e registros do maracatu.
Social
Fortalecimento da identidade cultural das raízes do maracatu de baque virado;
Impulsão do protagonismo com ações culturais em suas comunidades através da inclusão digital
Promoção dos direitos humanos culturais e sociais;
Econômico
Qualificação e capacitação de membros do maracatu na confecção de roupas e indumentárias próprias do maracatu, com possibilidade de obter renda.
Qualificação e capacitação de músicos em instrumentos de percussão dos ritmos dos Maracatus de Baque Virado .

Mestre Teté
Já que falamos de apresentações culturais o Maracatu vai participar de um dos Ensaios de preparação para o Carnaval com Naná Vasconcelos:
» Quinta (22/01)
Maracatu Almirante do Forte
Estrada do Bongi, 1319 - Recife (Próximo a Delegacia da Mustardinha).
MARACATU NAÇÃO ALMIRANTE DO FORTE
www.flickr.com/almirantedoforte
Fundado em 07 de Setembro de 1931
Estrada do Bongi, 1319 – Bongi – Recife – Pernambuco
CEP – 50830-360
CNPJ – 08.798.084/0001-62
FONE – (81) 3229.7932
(81) 9644-8673
Email – almirantedoforte@yahoo.com.br
almirantedoforte@gmail.com
mestre.tete@yahoo.com.br
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